terça-feira, 14 de agosto de 2018

ÁFRICA - CLIMA E VEGETAÇÃO




"Gente, só é feliz quem realmente sabe que a África não é um país" diz Emicida na letra de Mufete, falar em África é quase sempre um exercício de desconstrução de estereótipos, de ideias que generalizam a África como um continente de pobreza, doenças e seca, que esquecem da riqueza dos metais preciosos de seu solo, dos rios caudalosos da Floresta do Congo, ou mesmo do Rio Nilo, que presenteia o Egito com vida. Alguns países do norte da África e da África abaixo do Deserto do Saara tem Índice de Desenvolvimento Humano(IDH) e até mesmo clima e sociedade muito parecidas com a nossa. Modo desconstrução em ação.
 

TED - O perigo de uma história única - Chimamanda Adichie - Dublado em português


Slide sobre o Clima e a Vegetação no continente Africano

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

ILUMINISMO



Meados do século XVII, Europa, uma série de pensadores de diferentes lugares passam a questionar a ordem vigente, Igreja e monarquia deixam de ser sagrados. O Iluminismo instala as bases teóricas para o mundo contemporâneo, ideias como as de liberdade e igualdade, presentes na nossa constituição, ou mesmo a divisão do Estado em três poderes tem origem na ilustração e no advento da razão.

Resumo sobre Iluminismo, Prof. Dimas do canal Stood(Youtube):


Slide da aula sobre Iluminismo:

ESPARTA


Já ouviu falar nos 300 de Esparta? Essa pólis grega cresceu voltada para a guerra por sua formação política e social, em especial pela educação militar rígida dada a suas crianças, desde os 7 anos submetidas a um severo treinamento militar que incluia, castigo físico, pouca alimentação, e embates que poderiam levar a morte. Em Esparta só os fortes sobreviviam.

Trecho de série do History Channel sobre educação espartana:
C Trecho do filme 300 sobre a educação espartana:


Slide de aula sobre Esparta:

Slide de aula sobre a Colômbia e os conflitos provocados pela guerrilha e o narcotráfico:

O IMPÉRIO MACEDÔNIO DE ALEXANDRE, O GRANDE



O Império Macedônio, mais conhecido como "Império de Alexandre, o Grande", para além da biografia dessa figura lendária, foi responsável por fundir as culturas Ocidental e Oriental, dando origem a cultura helenística, que influenciou as artes, as ciências, a filosofia e traz suas marcas até os dias de hoje.

Construindo um Império - Alexandre, O Grande (Série do History Channel):

Slide da aula sobre o Império Macedônio de Alexandre, o Grande:

sábado, 16 de dezembro de 2017

Histórico: Direitos da Mulher e Violência Contra a Mulher


Histórico: Direitos da Mulher e Violência Contra a Mulher
Antes de falarmos em violência contra a mulher é importante ressaltar que esta só acontece porque um direito tem sido negado a uma parcela significativa da população, e é importante atentarmos para a historicidade dos direitos da mulher e como eles têm sido tratados ao longo da história.
A referência jurídica mais recente que versa sobre igualdade com peso mundial é a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, no entanto é importante atentarmos para o fato de que a referência histórica para a DUDH foi a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, de 1791, do período da Revolução Francesa, marco inicial da contemporaneidade, é importante perceber aqui que já no título a cidadania a é negada a mulher.
A cidadania da mulher não foi negada por esta ter sido um ator social de menor importância dentro do processo que marcou o fim do Antigo Regime, no período da Revolução Francesa as mulheres estiveram presentes na Queda da Bastilha, foram protagonistas na Marcha até Versalhes, que obrigou a família real a mudar-se para Paris, no entanto: "A maior parte dos homens que apoiavam a Revolução [Francesa], independentemente de suas filiações políticas, não achavam que liberdade, igualdade e fraternidade estendiam-se às mulheres, sendo favoráveis à sua volta para a vida doméstica, onde poderiam gozar dos benefícios da Revolução desde que não subvertessem a "natureza" exigindo qualquer participação direta nos assuntos do Estado."(PISKY e PEDRO, 2012, p. 269). Ainda neste contexto a escritora Olympe de Gouges (1748-1793) publicou a Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã (1791) sendo assim uma voz que clamava pela igualdade de gênero, dois anos depois silenciada pela lamina da guilhotina por defender a realização de uma reforma política na França.
Ainda inspirada nos ideais da Revolução Francesa, a escritora e professora inglesa Mary Wollstonecraft defendeu que as mulheres tinham os mesmo direitos naturais que os homens como autodeterminação e igualdade, tendo a mesma capacidade que o homem, a mulher deveria ter as mesmas oportunidades de educar-se e participar da vida social. Wollstonecraft defendeu essas ideias no A vindication of the rights of woman de 1792, no entanto, a maior parte dos filósofos da época diante das ideias dela mantiveram as suas posições tradicionais, alguns a custa da própria lógica de igualdade que defendiam. Outros pensadores defendiam os direitos de pobres, escravos, judeus, índios e crianças do sexo masculino, mas no tocante a mulher a queriam como "silenciosa, modesta, casta, subserviente e condenavam as mulheres independentes e poderosas." (PINSKY e PEDRO, 2012, p.267).
Ainda tomando como base a Inglaterra do século XIX as transformações sociais da industrialização promoveram grandes mudanças na estrutura da sociedade e ajudaram a sepultar a aristocracia e o absolutismo monárquico, dando espaço para a ideia de cidadão atuante e participante na vida social e política, principalmente para a burguesia que passou a dominar o Parlamento, entretanto, na ideia de Pinsky e Pedro a desigualdade de gênero persistia e inclusive recrudesceu com o estabelecimento de novos padrões para o que era ser masculino e feminino: "O ideal masculino era alguém racional, agressivo, corajoso, capaz de tomar decisões lúcidas, empreendedor e dominador, apto à vida pública, enquanto a mulher deveria ser sentimental, passiva, casta, vulnerável, dependente e destinada ao lar."(p.271). Neste momento ganha destaque a figura do homem provedor, sinal de sucesso e status social.           
É no período pós-industrial, também, que as lutas proletárias darão voz e serão o caminho para a conquista de direitos por parte dos trabalhadores, no entanto estes direitos não foram estendido as mulheres:  "Em vários momentos, os próprios proletários - que de maneira mais eficaz, gradativamente, conseguem obter direitos políticos - abraçam as ideias contrárias à capacidade política das mulheres e à ampliação das conquistas cidadãs para o sexo feminino."(PINSKY e PEDRO, 2012, p.272).
            Neste contexto de crescimento do poder político para a burguesia, que afirma sua hegemonia sobre a aristocracia; neste momento, em que os proletários tem direitos conquistados e reconhecidos, a legislação inglesa retroagiu em relação as mulheres, regulamentando os papeis sociais dos sexos:  “Aos olhos da lei, todas as mulheres casadas foram classificadas em uma categoria única e colocadas ao lado de outro grupos de excluídos da vida jurídica (como crianças, insanos e criminosos)."(PINSKY e PEDRO, 2012, p.272) a mulher, portanto, não era tida como ser autônomo, muito menos igual, a mulher casada era tutelada, não tendo mais poder sobre si, como podemos ver a seguir: “O marido [...] chefe legal da casa, pode decidir sozinho sobre questões familiares relativas a educação, profissão, emprego, punição [...]. Ao marido é permitido forçar a mulher a ter relações sexuais "normais" (sem sevícias graves) e a infidelidade feminina é punida mais severamente que a masculina." (PINSKY e PEDRO, 2012, p.272), podemos perceber aqui a violência contra mulher institucionalizada, parte da lei da época. É relevador, também, o dado de que a partir de 1850, quando divórcio passa a ser civil, na Inglaterra, a maioria dos pedidos encaminhados a justiça são de mulheres alegando violência e maus tratos.
Ainda no século XIX, com maior força na segunda metade do mesmo, surgiram movimentos que lutavam pelos direitos das mulheres dentro dos movimentos operários de base socialista, as vozes femininas clamavam por direitos iguais entre seus membros; na virada do século XIX para o XX ocorreu também o movimento sufragista, pelo direito ao voto feminino na Inglaterra, ganhando espaço, neste momento histórico, o denominado feminismo.
O século XX, e estendemos ao XXI, vai ser denominado por Pinsky e Pedro como “o século das mulheres”, em função da dimensão que a luta feminista por igualdade ganha campo e corpo, principalmente após as duas grandes guerras, no entanto, apesar das conquistas políticas, do direito de votar e ser votada, dos espaços de labor, a cidadania ainda é negada as mulheres, sendo esta uma violência subjetiva de impacto na sociedade atual, a ainda um caminho a ser percorrido na busca por igualdade de gênero e pelo fim da violência contra a mulher.

Bibliografia:

FERREIRA, Amanda Ferreira e GOMES, Claciana. Abordando a violência contra à mulher no ambiente escolar. Disponível em http://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/17627_8478.pdf


PINSKY, Carla Bassanezi e PEDRO, Maria Joana. Mulheres: igualdade e especificidade. In: PINSKY, Jaime e PINSKY, Carla Bassanezi(orgs.). História da Cidadania. 6. ed. - SP: Contexto, 2012.


sábado, 18 de outubro de 2014

Fichamento:Florestan Fernandes: O negro no mundo dos brancos

Fichamento:

FERNANDES, Florestan. O negro no mundo dos brancos. 2ºEd. SP: Global, 2007.

Apresentação de Lilia Moritz Schwarcz – Raça Sempre Deu o que Falar
“O conjunto de pesquisas do autor apontava, dessa forma, para novas facetas da “miscigenação brasileira”. Sobrevivia, enquanto legado histórico, um sistema enraizado de hierarquização social que introduzia gradações de prestígio a partir de critérios como classe social, educação formal, origem familiar e todo um carrefour de cores (...) Chamado por Fernandes de “metamorfose do escravo”, o processo brasileiro de exclusão social desenvolveu-se de modo a empregar termo como “preto” ou “negro” – que formalmente remetem à cor de pele – em lugar da noção de classe subalterna; nesse movimento que constantemente apaga o conflito. Invertia-se, pois, a questão: a estrutura social é que era um problema para o negro uma vez que bloqueava sua cidadania plena.” (p.18-19)
“A pergunta que orienta o livro de Fernandes é direta: como se coaduna a modernidade com a integração no negro? Como combinar ordem capitalista e racional com ordem estamental e escravocrata? Por isso mesmo, pode-se dizer que o autor não estudou a propriamente a questão negra no Brasil, mas antes as descontinuidades da modernidade, tendo como suporte a problemática racial.”(p.19)
“No entanto, desta vez o problema central desloca-se para a dualidade – ordem social versus estamental – no sentido de entender a situação do negro a partir de perspectivas não só sincrônicas como diacrônicas”(p.19)
“Nos diferentes ensaios que compõe esse livro o autor denuncia a supremacia da “raça branca”, acusa a “acomodação racial vigente” e seu papel no sentido de abstar ao negro seu ligar como protagonista da própria história.”(p.20)
“Apontando as clivagens sociais como centrais na análise e condução desses problemas, o autor desmonta um mito nacional e clama para que a população negra tome papel ativo na construção de seus destinos ou que não se identifique com o “branqueamento psicossocial e moral” desse “mundo dos brancos”.”(p.20-21)
“Ao mesmo tempo que convivemos, não com a realidade, mas com um ideal de democracia racial, um racismo brutal vigora entre nós. Assim, demonstrar as falácias do mito talvez seja tão importante quanto refletir sobre sua eficácia, enquanto representação e acerca da dificuldade que temos em lidar com o tema.”(p.21)
“(...) mitos só são eficazes porque fazem sentido numa comunidade imaginada e partilhada.”(p.21-22)
“Por isso mesmo, o preconceito não é apenas um “legado”; ele se refaz no presente e mostra como a ideal de democracia racial vem ganhando novos contornos. Ou seja, a “desconstrução”. Fernandes, de certa maneira, circunscreveu o mito e o tema da raça a uma questão de classes e abandonou a cultura.”(p.22)
“Interessante notar que, nos anos de 1980 e 1990, uma série de estudos recuperou o tema, assim como as análises de base demográfica, e demonstrou como o preconceito de cor não está apenas atrelado a questões econômicas e sociais”(Idem)
“A tese geral é que tais desigualdades apresentam um componente racial inequívoco e relevante, que não pode ser resumido a partir de uma perspectiva socioeconômica. Em questão está pensar não só a “herança”, mas a reposição do preconceito.”(Idem)
“Por outro lado, a nova historiografia expandiu a ideia de “coisificação do escravo” e mostrou como os cativos não eram só passivos, mas agiam, reagiam e encontravam respostas criativas à sua situação; eram “sujeitos” e não só “objetos” de sua condição.”(Idem)
“Trabalhos sobre a história social dos escravos, acerca da família, a da vida cultural e mesmo comunitária, tomaram vulto nos anos 1980, mostrando como era possível ir além da “sobrevivência”.”(p.23)
“Se é preciso destacar o lado mercantil e violento do sistema, como bem demonstrou Fernandes, não é por isso que se apaga a atuação cotidiana dos escravos, que se utilizavam das frestas do sistema e negociavam sua condição.”(Idem)

“A verdadeira obra não é terminada, mas é aquela que continua e não deixa colocar um confortável ponto final.”(Idem)