quinta-feira, 9 de agosto de 2018
ILUMINISMO
Meados do século XVII, Europa, uma série de pensadores de diferentes lugares passam a questionar a ordem vigente, Igreja e monarquia deixam de ser sagrados. O Iluminismo instala as bases teóricas para o mundo contemporâneo, ideias como as de liberdade e igualdade, presentes na nossa constituição, ou mesmo a divisão do Estado em três poderes tem origem na ilustração e no advento da razão.
Resumo sobre Iluminismo, Prof. Dimas do canal Stood(Youtube):
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ESPARTA
Já ouviu falar nos 300 de Esparta? Essa pólis grega cresceu voltada para a guerra por sua formação política e social, em especial pela educação militar rígida dada a suas crianças, desde os 7 anos submetidas a um severo treinamento militar que incluia, castigo físico, pouca alimentação, e embates que poderiam levar a morte. Em Esparta só os fortes sobreviviam.
Trecho de série do History Channel sobre educação espartana:
C Trecho do filme 300 sobre a educação espartana:
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FARC - FORÇAS ARMADAS REVOLUCIONÁRIAS DA COLÔMBIA
Na segunda metade do século XX o mundo foi marcado pela Guerra Fria, na América Latina esse embate se deu em diversas instâncias e em uma delas haviam os grupos guerrilheiros comunistas, inspirados nos modelos exitosos de Cuba e da China, e de outro grupos paramilitares que surgiram com apoio do governos capitalista estadunidense. O arena mais marcante deste combate foi a Colômbia, berço das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), adicione a tudo isso o componente explosivo do narcotráfico e temos um barril de pólvora pronto para explodir.
Vídeo do professor Felipe Figueiredo do Nerdologia sobre a Colômbi e a Farc:
Slide de aula sobre a Colômbia e os conflitos provocados pela guerrilha e o narcotráfico:
Vídeo do professor Felipe Figueiredo do Nerdologia sobre a Colômbi e a Farc:
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O IMPÉRIO MACEDÔNIO DE ALEXANDRE, O GRANDE
O Império Macedônio, mais conhecido como "Império de Alexandre, o Grande", para além da biografia dessa figura lendária, foi responsável por fundir as culturas Ocidental e Oriental, dando origem a cultura helenística, que influenciou as artes, as ciências, a filosofia e traz suas marcas até os dias de hoje.
Construindo um Império - Alexandre, O Grande (Série do History Channel):
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sábado, 16 de dezembro de 2017
Histórico: Direitos da Mulher e Violência Contra a Mulher
Histórico: Direitos da Mulher e Violência
Contra a Mulher
Antes de
falarmos em violência contra a mulher é importante ressaltar que esta só
acontece porque um direito tem sido negado a uma parcela significativa da
população, e é importante atentarmos para a historicidade dos direitos da
mulher e como eles têm sido tratados ao longo da história.
A referência
jurídica mais recente que versa sobre igualdade com peso mundial é a Declaração
Universal dos Direitos Humanos, de 1948, no entanto é importante atentarmos
para o fato de que a referência histórica para a DUDH foi a Declaração de
Direitos do Homem e do Cidadão, de 1791, do período da Revolução Francesa, marco
inicial da contemporaneidade, é importante perceber aqui que já no título a
cidadania a é negada a mulher.
A cidadania da
mulher não foi negada por esta ter sido um ator social de menor importância
dentro do processo que marcou o fim do Antigo Regime, no período da Revolução
Francesa as mulheres estiveram presentes na Queda da Bastilha, foram
protagonistas na Marcha até Versalhes, que obrigou a família real a mudar-se
para Paris, no entanto: "A maior parte dos homens que apoiavam a Revolução
[Francesa], independentemente de suas filiações políticas, não achavam que
liberdade, igualdade e fraternidade estendiam-se às mulheres, sendo favoráveis
à sua volta para a vida doméstica, onde poderiam gozar dos benefícios da
Revolução desde que não subvertessem a "natureza" exigindo qualquer
participação direta nos assuntos do Estado."(PISKY e PEDRO, 2012, p. 269).
Ainda neste contexto a escritora Olympe de Gouges (1748-1793) publicou a
Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã (1791) sendo assim uma voz que
clamava pela igualdade de gênero, dois anos depois silenciada pela lamina da
guilhotina por defender a realização de uma reforma política na França.
Ainda
inspirada nos ideais da Revolução Francesa, a escritora e professora inglesa Mary
Wollstonecraft defendeu que as mulheres tinham os mesmo direitos naturais que os
homens como autodeterminação e igualdade, tendo a mesma capacidade que o homem,
a mulher deveria ter as mesmas oportunidades de educar-se e participar da vida
social. Wollstonecraft defendeu essas ideias no A vindication of the rights of woman de 1792, no entanto, a maior
parte dos filósofos da época diante das ideias dela mantiveram as suas posições
tradicionais, alguns a custa da própria lógica de igualdade que defendiam. Outros
pensadores defendiam os direitos de pobres, escravos, judeus, índios e crianças
do sexo masculino, mas no tocante a mulher a queriam como "silenciosa,
modesta, casta, subserviente e condenavam as mulheres independentes e
poderosas." (PINSKY e PEDRO, 2012, p.267).
Ainda tomando
como base a Inglaterra do século XIX as transformações sociais da
industrialização promoveram grandes mudanças na estrutura da sociedade e
ajudaram a sepultar a aristocracia e o absolutismo monárquico, dando espaço
para a ideia de cidadão atuante e participante na vida social e política,
principalmente para a burguesia que passou a dominar o Parlamento, entretanto,
na ideia de Pinsky e Pedro a desigualdade de gênero persistia e inclusive
recrudesceu com o estabelecimento de novos padrões para o que era ser masculino
e feminino: "O ideal masculino era alguém racional, agressivo, corajoso,
capaz de tomar decisões lúcidas, empreendedor e dominador, apto à vida pública,
enquanto a mulher deveria ser sentimental, passiva, casta, vulnerável,
dependente e destinada ao lar."(p.271). Neste momento ganha destaque a
figura do homem provedor, sinal de sucesso e status social.
É no período
pós-industrial, também, que as lutas proletárias darão voz e serão o caminho
para a conquista de direitos por parte dos trabalhadores, no entanto estes
direitos não foram estendido as mulheres:
"Em vários momentos, os próprios proletários - que de maneira mais
eficaz, gradativamente, conseguem obter direitos políticos - abraçam as ideias
contrárias à capacidade política das mulheres e à ampliação das conquistas
cidadãs para o sexo feminino."(PINSKY e PEDRO, 2012, p.272).
Neste
contexto de crescimento do poder político para a burguesia, que afirma sua
hegemonia sobre a aristocracia; neste momento, em que os proletários tem
direitos conquistados e reconhecidos, a legislação inglesa retroagiu em relação
as mulheres, regulamentando os papeis sociais dos sexos: “Aos olhos da lei, todas as mulheres casadas
foram classificadas em uma categoria única e colocadas ao lado de outro grupos
de excluídos da vida jurídica (como crianças, insanos e
criminosos)."(PINSKY e PEDRO, 2012, p.272) a mulher, portanto, não era
tida como ser autônomo, muito menos igual, a mulher casada era tutelada, não
tendo mais poder sobre si, como podemos ver a seguir: “O marido [...] chefe
legal da casa, pode decidir sozinho sobre questões familiares relativas a
educação, profissão, emprego, punição [...]. Ao marido é permitido forçar a
mulher a ter relações sexuais "normais" (sem sevícias graves) e a
infidelidade feminina é punida mais severamente que a masculina." (PINSKY
e PEDRO, 2012, p.272), podemos perceber aqui a violência contra mulher
institucionalizada, parte da lei da época. É relevador, também, o dado de que a
partir de 1850, quando divórcio passa a ser civil, na Inglaterra, a maioria dos
pedidos encaminhados a justiça são de mulheres alegando violência e maus
tratos.
Ainda no
século XIX, com maior força na segunda metade do mesmo, surgiram movimentos que
lutavam pelos direitos das mulheres dentro dos movimentos operários de base
socialista, as vozes femininas clamavam por direitos iguais entre seus membros;
na virada do século XIX para o XX ocorreu também o movimento sufragista, pelo
direito ao voto feminino na Inglaterra, ganhando espaço, neste momento
histórico, o denominado feminismo.
O século XX, e
estendemos ao XXI, vai ser denominado por Pinsky e Pedro como “o século das
mulheres”, em função da dimensão que a luta feminista por igualdade ganha campo
e corpo, principalmente após as duas grandes guerras, no entanto, apesar das
conquistas políticas, do direito de votar e ser votada, dos espaços de labor, a
cidadania ainda é negada as mulheres, sendo esta uma violência subjetiva de
impacto na sociedade atual, a ainda um caminho a ser percorrido na busca por
igualdade de gênero e pelo fim da violência contra a mulher.
Bibliografia:
FERREIRA,
Amanda Ferreira e GOMES, Claciana. Abordando a violência contra à mulher no
ambiente escolar. Disponível em http://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/17627_8478.pdf
Curso unicap gajop mulher normativa. Slide
(PDF) Disponível em http://gajop.org.br/justicacidada/wp-content/uploads/Apresenta%C3%A7%C3%A3o-1%C2%BA-Dia_-mulher-tratados-internacionais-de-direitos-humanos.pdf
PINSKY,
Carla Bassanezi e PEDRO, Maria Joana. Mulheres: igualdade e especificidade.
In: PINSKY, Jaime e PINSKY, Carla Bassanezi(orgs.). História da Cidadania.
6. ed. - SP: Contexto, 2012.
sábado, 18 de outubro de 2014
Fichamento:Florestan Fernandes: O negro no mundo dos brancos
Fichamento:
FERNANDES,
Florestan. O negro no mundo dos brancos.
2ºEd. SP: Global, 2007.
Apresentação de
Lilia Moritz Schwarcz – Raça Sempre Deu o que Falar
“O conjunto de pesquisas do autor
apontava, dessa forma, para novas facetas da “miscigenação brasileira”. Sobrevivia,
enquanto legado histórico, um sistema enraizado de hierarquização social que
introduzia gradações de prestígio a partir de critérios como classe social,
educação formal, origem familiar e todo um carrefour
de cores (...) Chamado por Fernandes de “metamorfose do escravo”, o processo
brasileiro de exclusão social desenvolveu-se de modo a empregar termo como
“preto” ou “negro” – que formalmente remetem à cor de pele – em lugar da noção
de classe subalterna; nesse movimento que constantemente apaga o conflito.
Invertia-se, pois, a questão: a estrutura social é que era um problema para o
negro uma vez que bloqueava sua cidadania plena.” (p.18-19)
“A pergunta que orienta o livro de
Fernandes é direta: como se coaduna a modernidade com a integração no negro? Como
combinar ordem capitalista e racional com ordem estamental e escravocrata? Por
isso mesmo, pode-se dizer que o autor não estudou a propriamente a questão
negra no Brasil, mas antes as descontinuidades da modernidade, tendo como
suporte a problemática racial.”(p.19)
“No entanto, desta vez o problema
central desloca-se para a dualidade – ordem social versus estamental – no sentido de entender a situação do negro a
partir de perspectivas não só sincrônicas como diacrônicas”(p.19)
“Nos diferentes ensaios que compõe
esse livro o autor denuncia a supremacia da “raça branca”, acusa a “acomodação
racial vigente” e seu papel no sentido de abstar ao negro seu ligar como
protagonista da própria história.”(p.20)
“Apontando as clivagens sociais
como centrais na análise e condução desses problemas, o autor desmonta um mito
nacional e clama para que a população negra tome papel ativo na construção de
seus destinos ou que não se identifique com o “branqueamento psicossocial e
moral” desse “mundo dos brancos”.”(p.20-21)
“Ao mesmo tempo que convivemos,
não com a realidade, mas com um ideal de democracia racial, um racismo brutal
vigora entre nós. Assim, demonstrar as falácias do mito talvez seja tão
importante quanto refletir sobre sua eficácia, enquanto representação e acerca
da dificuldade que temos em lidar com o tema.”(p.21)
“(...) mitos só são eficazes
porque fazem sentido numa comunidade imaginada e partilhada.”(p.21-22)
“Por isso mesmo, o preconceito não
é apenas um “legado”; ele se refaz no presente e mostra como a ideal de
democracia racial vem ganhando novos contornos. Ou seja, a “desconstrução”.
Fernandes, de certa maneira, circunscreveu o mito e o tema da raça a uma
questão de classes e abandonou a cultura.”(p.22)
“Interessante notar que, nos anos
de 1980 e 1990, uma série de estudos recuperou o tema, assim como as análises
de base demográfica, e demonstrou como o preconceito de cor não está apenas
atrelado a questões econômicas e sociais”(Idem)
“A tese geral é que tais
desigualdades apresentam um componente racial inequívoco e relevante, que não
pode ser resumido a partir de uma perspectiva socioeconômica. Em questão está
pensar não só a “herança”, mas a reposição do preconceito.”(Idem)
“Por outro lado, a nova
historiografia expandiu a ideia de “coisificação do escravo” e mostrou como os
cativos não eram só passivos, mas agiam, reagiam e encontravam respostas
criativas à sua situação; eram “sujeitos” e não só “objetos” de sua
condição.”(Idem)
“Trabalhos sobre a história social
dos escravos, acerca da família, a da vida cultural e mesmo comunitária,
tomaram vulto nos anos 1980, mostrando como era possível ir além da
“sobrevivência”.”(p.23)
“Se é preciso destacar o lado
mercantil e violento do sistema, como bem demonstrou Fernandes, não é por isso
que se apaga a atuação cotidiana dos escravos, que se utilizavam das frestas do
sistema e negociavam sua condição.”(Idem)
“A verdadeira obra não é
terminada, mas é aquela que continua e não deixa colocar um confortável ponto
final.”(Idem)
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Crise de 1929: o pensamento radical na América do Norte
Este texto foi elaborado como um trabalho de faculdade para na disciplina de História dos Estados Unidos com o objetivo de relacionar dois textos a um período da História dos Estados Unidos, fazendo relações possíveis entre os mesmos, o tema escolhido foi a Crise de 1929.
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A crise de 1929 dos Estados Unidos se encaixa no que
Eric Hobsbawn chama de Era da Catástrofe, no colapso econômico do entre
guerras, para este autor o mundo, na segunda metade do século XX é
incompreensível se não entendermos o colapso econômico, sendo os Estados Unidos
da América parte fundamental no assunto. “Na verdade, mesmo os orgulhosos
Estados Unidos, longe de serem um porto seguro das convulsões de continentes
menos afortunados, se tornaram o epicentro deste que foi o maior terremoto
global medido na escala Richter dos historiadores econômicos – a Grande
Depressão do entre guerras.” (HOBSBAWN, 1995, pp. 91)
O autor coloca a economia estadunidense como a mais
forte após a Primeira Grande Guerra, enquanto os países europeus viviam um
desemprego em torno de 10%, os Estados Unidos viviam um de 4% nos anos 20,
trazendo consigo o peso de ser o maior exportador e o segundo maior importador,
conseqüentemente tornou-se a principal vítima da Grande Depressão.
No entanto, segundo Hobsbawn, a ideia de crise
seculares, que viriam de tempos em tempos, estava presente no pensamento da
época, como a idéia de intempéries do tempo estava presente na mentalidade de
um agricultor, sendo a crise algo esperado; o que não se esperava era a
profundidade da Crise de 1929 com a quebra da Bolsa de Nova Yorque e o circulo
viciosos em que parecia presa a economia mundial, em que indicadores
econômicos, tirando o desemprego que subia as alturas, caiam vertiginosamente,
um exemplo é que a produção industrial norte americana caiu um terço entre
1929-1931 e no auge da crise, 1932-3 o desemprego nos Estados Unidos estava em
29%.
Outro fator novo foi que a crise de 29 ofereceu
perigo ao sistema capitalista, já que, desta vez, havia a alternativa
socialista ativa na figura da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
(URSS), tanto que um dos resultados para tentar barrar os radicalismos de
esquerda, e hoje sabemos de direita, foi que “a Grande Depressão obrigou os
governos ocidentais a dar as considerações sociais prioridade sobre as
econômicas em suas políticas de Estados.” (Idem, pp.99)
O Keynesianismo que surge como pensamento econômica é
usado com objetivos políticos e sociais, a ideia de Keynes era a de que a
demanda gerada pela renda de trabalhadores com pleno emprego teria o mais
estimulante efeito nas economias em recessão. Outra palavra que passou a fazer
parte do vocabulário do período da Grande Depressão foi o “planejamento” ou
“plano” pensada a partir do modelo soviético e utilizada nos países ocidentais.
Hobsbawn coloca a questão: “Porque a economia capitalista
não funcionou no entre guerras?” (Idem, pp.101) e como já foi dito, o autor,
coloca a situação econômica dos Estados Unidos como essencial a qualquer
resposta a essa pergunta e aponta duas motivações principais.
A primeira é que os Estados Unidos tornaram-se, após
a Primeira Guerra, o centro da economia mundial, sendo o maior credor do
período, com investimentos, principalmente, na Europa e nos países ocidentais,
tudo isso sem a preocupação de agir como estabilizador global.
“A segunda perspectiva da Depressão se fazia na não
geração, pela economia mundial, de demanda suficiente para uma expansão
duradoura.” (Idem, pp.104); Ou seja, o aumento da produção, da especulação e
dos lucros em detrimento de salários estagnados, colaboraram de forma efetiva para
a crise.
A outra abordagem escolhida para o trabalho é a de T.
B. Bottomore, sociólogo, que vai tratar o pensamento radical na América do
Norte, segundo este autor, “a animação gloriosa da Era do Jazz chegou ao fim
com a grande crise de 1929. Nos anos de depressão econômica que se seguiu,
quando um quarto dos trabalhadores americanos estavam desempregados e muito dos
que ainda tinham emprego viviam em pobreza objeta, quando o sonho americano se
tinha esvanecido e todo o sistema econômico pereceu, durante certo tempo, estar
à beira do colapso final, ressurgiu (nos Estados Unidos) a crítica social.”
(BOTTOMORE, 1970, pp.37)
Bottomore diz que o período de 1930 é muitas vezes
considerado um período “marxista” da vida intelectual estadunidense, no
entanto, para ele, tal ideia não era aceita em larga escala e não houve
qualquer sistema significativo de pensamento social marxista diretamente
aplicado à sociedade e à cultura norte americana, o que não quer dizer, que
muitos escritos desta época não tenham influenciado membros da assessoria de
peritos de Roosevelt e os arquitetos do New Deal.
Para o autor, as idéias do marxismo relacionam-se
mais a literatos intelectuais ao dizer que na década de 20 satirizavam a
cultura econômica estadunidense julgando-a muito forte para ser subvertida e
que na década de 1930 atacaram-na de forma direta, pois neste momento, parecia
não apenas bárbara, mas também, incompetente e condenada, enquanto uma
alternativa viável parecia ser o Comunismo Russo.
O autor cita estudos feitos na época da Grande
Depressão que mostram haver tensões entre trabalhadores e os grupos dominantes,
no entanto, segundo eles estas tensões partiam de demandas e ressentimento
individuais, pessoais, não havendo de forma efetiva a criação de uma consciência
de classe, partindo de um estudo localizado, Bottomore estende tal pensamento a
maioria do país e diz que o marxismo permaneceu como a ocupação de pequenas
seitas políticas e embora tivesse penetrado o ambiente intelectual, não criou
uma escola nova de crítica social, tanto que os principais estudos críticos do
período não foram feitas por marxistas.
O autor diz que uma das principais críticas foi feita
a partir de estudos como os de Adolf Berle Jr. e Gardiner Means, The Modern Corporation and Prinvate Proprerty,
que demonstraram que havia uma concentração das empresas estadunidenses nas mão
de uns poucos grupos e que as relações na economia deveriam mudar a ponto de
concluir que a economia como um todo deveria ser regulada pelo Estado e que
nesse quadro a comunidade econômica deveria ocupar uma nova posição, muito mais
próxima da de um estadista do que da de um propagandista envolvido em
negociações pura e simplesmente, esta é a proposta de um “capitalismo
administrado” sem qualquer objetivo de mudança social.
Portanto para este autor a crise poderia servir para
o florescimento de um marxismo no pensamento norte americano, mas não foi o que
aconteceu o que se julgou ser, subseqüentemente, a aceitação do marxismo era
apenas, às vezes, a expressão geral de uma simpatia com o socialismo, ou, mas
especificamente, com as diretrizes econômicas e sociais da URSS, em especial
com a ideia já colocada anteriormente por Hobsbawn de plano econômico.
A URSS apareceu, neste contexto, como portadora de
uma sociedade que havia resolvido os problemas da crise econômica por meio de
um planejamento racional, e se tinha a percepção de que ela também havia
implantando o estado de bem estar social superiores ao dos países capitalistas,
daí a simpatia dos intelectuais. Daí, também, a surpresa pela não radicalização
e o não surgimento de movimento marxistas nos Estados unidos, pois, segundo o
autor, havia ai uma vaga para a chamada terceira opção.
“A inexistência de um movimento radical – cujo lugar
foi tomado por protestos e revoltas esporádicos entre os estudantes,
agricultores e desempregados – e a incapacidade de se elaborar uma teoria
social efetiva estavam relacionados entre si.” (Idem, pp.44) Além disso, é
apontada a distância dos intelectuais em relação às massas. Tanto que nas eleições
americanas, acredito que de 1935, apenas 0,25% do eleitorado havia votado nos
comunistas, a maioria dos desempregados e flagelados pela carestia e pela fome
optaram por votar em Hoover ou em Roosevelt sobre isso diz Battomore: “Após
três anos de tática sanguinária e de provocações, em que os manifestantes e os
grevistas se tinham reunido em grande número de cidades americanas, as massas
votaram teimosamente nos republicanos ou nos democratas.” (Idem, pp. 44)
Por fim o autor ressalta que os Estados Unidos tem um
pensamento conservador histórico, que se soma aos fatores acima citados, para
não ter havido uma radicalização da esquerda no país, diferente, por exemplo,
do que o ocorreu na Europa, onde mesmo derrotado, os partidos Comunistas e
Socialistas ainda tinham alguma vitalidade e base popular.
Entre os norte americanos, não havia nenhuma opção
oferecida pela esquerda, que pudesse contrapor o New Deal de Roosevelt. “O New Deal engendrou um novo otimismo,
ressuscitou, por algum tempo, o sentimento populista do começo do século, tendo
oferecido, pelo menos, a esperança de uma economia mais eficientemente
administrada. Além do mais, sempre que quaisquer idéias novas e poderosas
apareçam nesse decênio, diziam respeito às instituições e aos problemas de uma sociedade
tecnológica e administrativa, e floresciam no circulo dos assessores técnicos
do New Deal, mesmo quando não eram propostas por eles.” (Idem, pp.46)
O Pensamento de Battomore converge em alguns momentos
com a abordagem mais geral de Eric Hobsbawn, em pontos como a influência dos
planos econômicos soviéticos na reorganização econômica após a crise de 29,
dando um exemplo pontual da simpatia dos intelectuais críticos norte americanos
da época, ou na vaga que surgiu para uma terceira opção que não foi ocupada pelo
Socialismo, como poderia se esperar nos Estados Unidos, mesmo ao tratar de um
assunto, como o pensamento radical norte americano em uma abordagem sociológica
é possível traçar este paralelo entre os autores.
Bibliografia:
BATTOMORE, T. B. Críticos da
sociedade: O pensamento radical na América do Norte. Rio de Janeiro: Zahar,
1970.
HOBSBAWN, Eric. Era dos extremos:
O breve século XX (1914-1991). São Paulo: Cia. das Letras, 1995.
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