quinta-feira, 9 de agosto de 2018

ILUMINISMO



Meados do século XVII, Europa, uma série de pensadores de diferentes lugares passam a questionar a ordem vigente, Igreja e monarquia deixam de ser sagrados. O Iluminismo instala as bases teóricas para o mundo contemporâneo, ideias como as de liberdade e igualdade, presentes na nossa constituição, ou mesmo a divisão do Estado em três poderes tem origem na ilustração e no advento da razão.

Resumo sobre Iluminismo, Prof. Dimas do canal Stood(Youtube):


Slide da aula sobre Iluminismo:

ESPARTA


Já ouviu falar nos 300 de Esparta? Essa pólis grega cresceu voltada para a guerra por sua formação política e social, em especial pela educação militar rígida dada a suas crianças, desde os 7 anos submetidas a um severo treinamento militar que incluia, castigo físico, pouca alimentação, e embates que poderiam levar a morte. Em Esparta só os fortes sobreviviam.

Trecho de série do History Channel sobre educação espartana:
C Trecho do filme 300 sobre a educação espartana:


Slide de aula sobre Esparta:

Slide de aula sobre a Colômbia e os conflitos provocados pela guerrilha e o narcotráfico:

O IMPÉRIO MACEDÔNIO DE ALEXANDRE, O GRANDE



O Império Macedônio, mais conhecido como "Império de Alexandre, o Grande", para além da biografia dessa figura lendária, foi responsável por fundir as culturas Ocidental e Oriental, dando origem a cultura helenística, que influenciou as artes, as ciências, a filosofia e traz suas marcas até os dias de hoje.

Construindo um Império - Alexandre, O Grande (Série do History Channel):

Slide da aula sobre o Império Macedônio de Alexandre, o Grande:

sábado, 16 de dezembro de 2017

Histórico: Direitos da Mulher e Violência Contra a Mulher


Histórico: Direitos da Mulher e Violência Contra a Mulher
Antes de falarmos em violência contra a mulher é importante ressaltar que esta só acontece porque um direito tem sido negado a uma parcela significativa da população, e é importante atentarmos para a historicidade dos direitos da mulher e como eles têm sido tratados ao longo da história.
A referência jurídica mais recente que versa sobre igualdade com peso mundial é a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, no entanto é importante atentarmos para o fato de que a referência histórica para a DUDH foi a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, de 1791, do período da Revolução Francesa, marco inicial da contemporaneidade, é importante perceber aqui que já no título a cidadania a é negada a mulher.
A cidadania da mulher não foi negada por esta ter sido um ator social de menor importância dentro do processo que marcou o fim do Antigo Regime, no período da Revolução Francesa as mulheres estiveram presentes na Queda da Bastilha, foram protagonistas na Marcha até Versalhes, que obrigou a família real a mudar-se para Paris, no entanto: "A maior parte dos homens que apoiavam a Revolução [Francesa], independentemente de suas filiações políticas, não achavam que liberdade, igualdade e fraternidade estendiam-se às mulheres, sendo favoráveis à sua volta para a vida doméstica, onde poderiam gozar dos benefícios da Revolução desde que não subvertessem a "natureza" exigindo qualquer participação direta nos assuntos do Estado."(PISKY e PEDRO, 2012, p. 269). Ainda neste contexto a escritora Olympe de Gouges (1748-1793) publicou a Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã (1791) sendo assim uma voz que clamava pela igualdade de gênero, dois anos depois silenciada pela lamina da guilhotina por defender a realização de uma reforma política na França.
Ainda inspirada nos ideais da Revolução Francesa, a escritora e professora inglesa Mary Wollstonecraft defendeu que as mulheres tinham os mesmo direitos naturais que os homens como autodeterminação e igualdade, tendo a mesma capacidade que o homem, a mulher deveria ter as mesmas oportunidades de educar-se e participar da vida social. Wollstonecraft defendeu essas ideias no A vindication of the rights of woman de 1792, no entanto, a maior parte dos filósofos da época diante das ideias dela mantiveram as suas posições tradicionais, alguns a custa da própria lógica de igualdade que defendiam. Outros pensadores defendiam os direitos de pobres, escravos, judeus, índios e crianças do sexo masculino, mas no tocante a mulher a queriam como "silenciosa, modesta, casta, subserviente e condenavam as mulheres independentes e poderosas." (PINSKY e PEDRO, 2012, p.267).
Ainda tomando como base a Inglaterra do século XIX as transformações sociais da industrialização promoveram grandes mudanças na estrutura da sociedade e ajudaram a sepultar a aristocracia e o absolutismo monárquico, dando espaço para a ideia de cidadão atuante e participante na vida social e política, principalmente para a burguesia que passou a dominar o Parlamento, entretanto, na ideia de Pinsky e Pedro a desigualdade de gênero persistia e inclusive recrudesceu com o estabelecimento de novos padrões para o que era ser masculino e feminino: "O ideal masculino era alguém racional, agressivo, corajoso, capaz de tomar decisões lúcidas, empreendedor e dominador, apto à vida pública, enquanto a mulher deveria ser sentimental, passiva, casta, vulnerável, dependente e destinada ao lar."(p.271). Neste momento ganha destaque a figura do homem provedor, sinal de sucesso e status social.           
É no período pós-industrial, também, que as lutas proletárias darão voz e serão o caminho para a conquista de direitos por parte dos trabalhadores, no entanto estes direitos não foram estendido as mulheres:  "Em vários momentos, os próprios proletários - que de maneira mais eficaz, gradativamente, conseguem obter direitos políticos - abraçam as ideias contrárias à capacidade política das mulheres e à ampliação das conquistas cidadãs para o sexo feminino."(PINSKY e PEDRO, 2012, p.272).
            Neste contexto de crescimento do poder político para a burguesia, que afirma sua hegemonia sobre a aristocracia; neste momento, em que os proletários tem direitos conquistados e reconhecidos, a legislação inglesa retroagiu em relação as mulheres, regulamentando os papeis sociais dos sexos:  “Aos olhos da lei, todas as mulheres casadas foram classificadas em uma categoria única e colocadas ao lado de outro grupos de excluídos da vida jurídica (como crianças, insanos e criminosos)."(PINSKY e PEDRO, 2012, p.272) a mulher, portanto, não era tida como ser autônomo, muito menos igual, a mulher casada era tutelada, não tendo mais poder sobre si, como podemos ver a seguir: “O marido [...] chefe legal da casa, pode decidir sozinho sobre questões familiares relativas a educação, profissão, emprego, punição [...]. Ao marido é permitido forçar a mulher a ter relações sexuais "normais" (sem sevícias graves) e a infidelidade feminina é punida mais severamente que a masculina." (PINSKY e PEDRO, 2012, p.272), podemos perceber aqui a violência contra mulher institucionalizada, parte da lei da época. É relevador, também, o dado de que a partir de 1850, quando divórcio passa a ser civil, na Inglaterra, a maioria dos pedidos encaminhados a justiça são de mulheres alegando violência e maus tratos.
Ainda no século XIX, com maior força na segunda metade do mesmo, surgiram movimentos que lutavam pelos direitos das mulheres dentro dos movimentos operários de base socialista, as vozes femininas clamavam por direitos iguais entre seus membros; na virada do século XIX para o XX ocorreu também o movimento sufragista, pelo direito ao voto feminino na Inglaterra, ganhando espaço, neste momento histórico, o denominado feminismo.
O século XX, e estendemos ao XXI, vai ser denominado por Pinsky e Pedro como “o século das mulheres”, em função da dimensão que a luta feminista por igualdade ganha campo e corpo, principalmente após as duas grandes guerras, no entanto, apesar das conquistas políticas, do direito de votar e ser votada, dos espaços de labor, a cidadania ainda é negada as mulheres, sendo esta uma violência subjetiva de impacto na sociedade atual, a ainda um caminho a ser percorrido na busca por igualdade de gênero e pelo fim da violência contra a mulher.

Bibliografia:

FERREIRA, Amanda Ferreira e GOMES, Claciana. Abordando a violência contra à mulher no ambiente escolar. Disponível em http://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/17627_8478.pdf


PINSKY, Carla Bassanezi e PEDRO, Maria Joana. Mulheres: igualdade e especificidade. In: PINSKY, Jaime e PINSKY, Carla Bassanezi(orgs.). História da Cidadania. 6. ed. - SP: Contexto, 2012.


sábado, 18 de outubro de 2014

Fichamento:Florestan Fernandes: O negro no mundo dos brancos

Fichamento:

FERNANDES, Florestan. O negro no mundo dos brancos. 2ºEd. SP: Global, 2007.

Apresentação de Lilia Moritz Schwarcz – Raça Sempre Deu o que Falar
“O conjunto de pesquisas do autor apontava, dessa forma, para novas facetas da “miscigenação brasileira”. Sobrevivia, enquanto legado histórico, um sistema enraizado de hierarquização social que introduzia gradações de prestígio a partir de critérios como classe social, educação formal, origem familiar e todo um carrefour de cores (...) Chamado por Fernandes de “metamorfose do escravo”, o processo brasileiro de exclusão social desenvolveu-se de modo a empregar termo como “preto” ou “negro” – que formalmente remetem à cor de pele – em lugar da noção de classe subalterna; nesse movimento que constantemente apaga o conflito. Invertia-se, pois, a questão: a estrutura social é que era um problema para o negro uma vez que bloqueava sua cidadania plena.” (p.18-19)
“A pergunta que orienta o livro de Fernandes é direta: como se coaduna a modernidade com a integração no negro? Como combinar ordem capitalista e racional com ordem estamental e escravocrata? Por isso mesmo, pode-se dizer que o autor não estudou a propriamente a questão negra no Brasil, mas antes as descontinuidades da modernidade, tendo como suporte a problemática racial.”(p.19)
“No entanto, desta vez o problema central desloca-se para a dualidade – ordem social versus estamental – no sentido de entender a situação do negro a partir de perspectivas não só sincrônicas como diacrônicas”(p.19)
“Nos diferentes ensaios que compõe esse livro o autor denuncia a supremacia da “raça branca”, acusa a “acomodação racial vigente” e seu papel no sentido de abstar ao negro seu ligar como protagonista da própria história.”(p.20)
“Apontando as clivagens sociais como centrais na análise e condução desses problemas, o autor desmonta um mito nacional e clama para que a população negra tome papel ativo na construção de seus destinos ou que não se identifique com o “branqueamento psicossocial e moral” desse “mundo dos brancos”.”(p.20-21)
“Ao mesmo tempo que convivemos, não com a realidade, mas com um ideal de democracia racial, um racismo brutal vigora entre nós. Assim, demonstrar as falácias do mito talvez seja tão importante quanto refletir sobre sua eficácia, enquanto representação e acerca da dificuldade que temos em lidar com o tema.”(p.21)
“(...) mitos só são eficazes porque fazem sentido numa comunidade imaginada e partilhada.”(p.21-22)
“Por isso mesmo, o preconceito não é apenas um “legado”; ele se refaz no presente e mostra como a ideal de democracia racial vem ganhando novos contornos. Ou seja, a “desconstrução”. Fernandes, de certa maneira, circunscreveu o mito e o tema da raça a uma questão de classes e abandonou a cultura.”(p.22)
“Interessante notar que, nos anos de 1980 e 1990, uma série de estudos recuperou o tema, assim como as análises de base demográfica, e demonstrou como o preconceito de cor não está apenas atrelado a questões econômicas e sociais”(Idem)
“A tese geral é que tais desigualdades apresentam um componente racial inequívoco e relevante, que não pode ser resumido a partir de uma perspectiva socioeconômica. Em questão está pensar não só a “herança”, mas a reposição do preconceito.”(Idem)
“Por outro lado, a nova historiografia expandiu a ideia de “coisificação do escravo” e mostrou como os cativos não eram só passivos, mas agiam, reagiam e encontravam respostas criativas à sua situação; eram “sujeitos” e não só “objetos” de sua condição.”(Idem)
“Trabalhos sobre a história social dos escravos, acerca da família, a da vida cultural e mesmo comunitária, tomaram vulto nos anos 1980, mostrando como era possível ir além da “sobrevivência”.”(p.23)
“Se é preciso destacar o lado mercantil e violento do sistema, como bem demonstrou Fernandes, não é por isso que se apaga a atuação cotidiana dos escravos, que se utilizavam das frestas do sistema e negociavam sua condição.”(Idem)

“A verdadeira obra não é terminada, mas é aquela que continua e não deixa colocar um confortável ponto final.”(Idem)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Crise de 1929: o pensamento radical na América do Norte

Este texto foi elaborado como um trabalho de faculdade para na disciplina de História dos Estados Unidos com o objetivo de relacionar dois textos a um período da História dos Estados Unidos, fazendo relações possíveis entre os mesmos, o tema escolhido foi a Crise de 1929.

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A crise de 1929 dos Estados Unidos se encaixa no que Eric Hobsbawn chama de Era da Catástrofe, no colapso econômico do entre guerras, para este autor o mundo, na segunda metade do século XX é incompreensível se não entendermos o colapso econômico, sendo os Estados Unidos da América parte fundamental no assunto. “Na verdade, mesmo os orgulhosos Estados Unidos, longe de serem um porto seguro das convulsões de continentes menos afortunados, se tornaram o epicentro deste que foi o maior terremoto global medido na escala Richter dos historiadores econômicos – a Grande Depressão do entre guerras.” (HOBSBAWN, 1995, pp. 91)
O autor coloca a economia estadunidense como a mais forte após a Primeira Grande Guerra, enquanto os países europeus viviam um desemprego em torno de 10%, os Estados Unidos viviam um de 4% nos anos 20, trazendo consigo o peso de ser o maior exportador e o segundo maior importador, conseqüentemente tornou-se a principal vítima da Grande Depressão.
No entanto, segundo Hobsbawn, a ideia de crise seculares, que viriam de tempos em tempos, estava presente no pensamento da época, como a idéia de intempéries do tempo estava presente na mentalidade de um agricultor, sendo a crise algo esperado; o que não se esperava era a profundidade da Crise de 1929 com a quebra da Bolsa de Nova Yorque e o circulo viciosos em que parecia presa a economia mundial, em que indicadores econômicos, tirando o desemprego que subia as alturas, caiam vertiginosamente, um exemplo é que a produção industrial norte americana caiu um terço entre 1929-1931 e no auge da crise, 1932-3 o desemprego nos Estados Unidos estava em 29%.
Outro fator novo foi que a crise de 29 ofereceu perigo ao sistema capitalista, já que, desta vez, havia a alternativa socialista ativa na figura da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), tanto que um dos resultados para tentar barrar os radicalismos de esquerda, e hoje sabemos de direita, foi que “a Grande Depressão obrigou os governos ocidentais a dar as considerações sociais prioridade sobre as econômicas em suas políticas de Estados.” (Idem, pp.99)
O Keynesianismo que surge como pensamento econômica é usado com objetivos políticos e sociais, a ideia de Keynes era a de que a demanda gerada pela renda de trabalhadores com pleno emprego teria o mais estimulante efeito nas economias em recessão. Outra palavra que passou a fazer parte do vocabulário do período da Grande Depressão foi o “planejamento” ou “plano” pensada a partir do modelo soviético e utilizada nos países ocidentais.
Hobsbawn coloca a questão: “Porque a economia capitalista não funcionou no entre guerras?” (Idem, pp.101) e como já foi dito, o autor, coloca a situação econômica dos Estados Unidos como essencial a qualquer resposta a essa pergunta e aponta duas motivações principais.
A primeira é que os Estados Unidos tornaram-se, após a Primeira Guerra, o centro da economia mundial, sendo o maior credor do período, com investimentos, principalmente, na Europa e nos países ocidentais, tudo isso sem a preocupação de agir como estabilizador global.
“A segunda perspectiva da Depressão se fazia na não geração, pela economia mundial, de demanda suficiente para uma expansão duradoura.” (Idem, pp.104); Ou seja, o aumento da produção, da especulação e dos lucros em detrimento de salários estagnados, colaboraram de forma efetiva para a crise.
A outra abordagem escolhida para o trabalho é a de T. B. Bottomore, sociólogo, que vai tratar o pensamento radical na América do Norte, segundo este autor, “a animação gloriosa da Era do Jazz chegou ao fim com a grande crise de 1929. Nos anos de depressão econômica que se seguiu, quando um quarto dos trabalhadores americanos estavam desempregados e muito dos que ainda tinham emprego viviam em pobreza objeta, quando o sonho americano se tinha esvanecido e todo o sistema econômico pereceu, durante certo tempo, estar à beira do colapso final, ressurgiu (nos Estados Unidos) a crítica social.” (BOTTOMORE, 1970, pp.37)
Bottomore diz que o período de 1930 é muitas vezes considerado um período “marxista” da vida intelectual estadunidense, no entanto, para ele, tal ideia não era aceita em larga escala e não houve qualquer sistema significativo de pensamento social marxista diretamente aplicado à sociedade e à cultura norte americana, o que não quer dizer, que muitos escritos desta época não tenham influenciado membros da assessoria de peritos de Roosevelt e os arquitetos do New Deal.
Para o autor, as idéias do marxismo relacionam-se mais a literatos intelectuais ao dizer que na década de 20 satirizavam a cultura econômica estadunidense julgando-a muito forte para ser subvertida e que na década de 1930 atacaram-na de forma direta, pois neste momento, parecia não apenas bárbara, mas também, incompetente e condenada, enquanto uma alternativa viável parecia ser o Comunismo Russo.
O autor cita estudos feitos na época da Grande Depressão que mostram haver tensões entre trabalhadores e os grupos dominantes, no entanto, segundo eles estas tensões partiam de demandas e ressentimento individuais, pessoais, não havendo de forma efetiva a criação de uma consciência de classe, partindo de um estudo localizado, Bottomore estende tal pensamento a maioria do país e diz que o marxismo permaneceu como a ocupação de pequenas seitas políticas e embora tivesse penetrado o ambiente intelectual, não criou uma escola nova de crítica social, tanto que os principais estudos críticos do período não foram feitas por marxistas.
O autor diz que uma das principais críticas foi feita a partir de estudos como os de Adolf Berle Jr. e Gardiner Means, The Modern Corporation and Prinvate Proprerty, que demonstraram que havia uma concentração das empresas estadunidenses nas mão de uns poucos grupos e que as relações na economia deveriam mudar a ponto de concluir que a economia como um todo deveria ser regulada pelo Estado e que nesse quadro a comunidade econômica deveria ocupar uma nova posição, muito mais próxima da de um estadista do que da de um propagandista envolvido em negociações pura e simplesmente, esta é a proposta de um “capitalismo administrado” sem qualquer objetivo de mudança social.
Portanto para este autor a crise poderia servir para o florescimento de um marxismo no pensamento norte americano, mas não foi o que aconteceu o que se julgou ser, subseqüentemente, a aceitação do marxismo era apenas, às vezes, a expressão geral de uma simpatia com o socialismo, ou, mas especificamente, com as diretrizes econômicas e sociais da URSS, em especial com a ideia já colocada anteriormente por Hobsbawn de plano econômico.
A URSS apareceu, neste contexto, como portadora de uma sociedade que havia resolvido os problemas da crise econômica por meio de um planejamento racional, e se tinha a percepção de que ela também havia implantando o estado de bem estar social superiores ao dos países capitalistas, daí a simpatia dos intelectuais. Daí, também, a surpresa pela não radicalização e o não surgimento de movimento marxistas nos Estados unidos, pois, segundo o autor, havia ai uma vaga para a chamada terceira opção.
“A inexistência de um movimento radical – cujo lugar foi tomado por protestos e revoltas esporádicos entre os estudantes, agricultores e desempregados – e a incapacidade de se elaborar uma teoria social efetiva estavam relacionados entre si.” (Idem, pp.44) Além disso, é apontada a distância dos intelectuais em relação às massas. Tanto que nas eleições americanas, acredito que de 1935, apenas 0,25% do eleitorado havia votado nos comunistas, a maioria dos desempregados e flagelados pela carestia e pela fome optaram por votar em Hoover ou em Roosevelt sobre isso diz Battomore: “Após três anos de tática sanguinária e de provocações, em que os manifestantes e os grevistas se tinham reunido em grande número de cidades americanas, as massas votaram teimosamente nos republicanos ou nos democratas.” (Idem, pp. 44)
Por fim o autor ressalta que os Estados Unidos tem um pensamento conservador histórico, que se soma aos fatores acima citados, para não ter havido uma radicalização da esquerda no país, diferente, por exemplo, do que o ocorreu na Europa, onde mesmo derrotado, os partidos Comunistas e Socialistas ainda tinham alguma vitalidade e base popular.
Entre os norte americanos, não havia nenhuma opção oferecida pela esquerda, que pudesse contrapor o New Deal de Roosevelt.   “O New Deal engendrou um novo otimismo, ressuscitou, por algum tempo, o sentimento populista do começo do século, tendo oferecido, pelo menos, a esperança de uma economia mais eficientemente administrada. Além do mais, sempre que quaisquer idéias novas e poderosas apareçam nesse decênio, diziam respeito às instituições e aos problemas de uma sociedade tecnológica e administrativa, e floresciam no circulo dos assessores técnicos do New Deal, mesmo quando não eram propostas por eles.” (Idem, pp.46)
O Pensamento de Battomore converge em alguns momentos com a abordagem mais geral de Eric Hobsbawn, em pontos como a influência dos planos econômicos soviéticos na reorganização econômica após a crise de 29, dando um exemplo pontual da simpatia dos intelectuais críticos norte americanos da época, ou na vaga que surgiu para uma terceira opção que não foi ocupada pelo Socialismo, como poderia se esperar nos Estados Unidos, mesmo ao tratar de um assunto, como o pensamento radical norte americano em uma abordagem sociológica é possível traçar este paralelo entre os autores.


Bibliografia:
BATTOMORE, T. B. Críticos da sociedade: O pensamento radical na América do Norte. Rio de Janeiro: Zahar, 1970.

HOBSBAWN, Eric. Era dos extremos: O breve século XX (1914-1991). São Paulo: Cia. das Letras, 1995.